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Vacinação de meninos contra o HPV começa em todo o Pará

Começa nesta quarta-feira em todo o Estado (04) a campanha de vacinação contra o vírus HPV para meninos em toda rede pública de saúde. No Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) estima que 170 mil jovens entre 12 e 13 anos sejam vacinados. Assim como ocorreu com as meninas, esta é a primeira fase da vacinação nacional, que em 2017 terá como público alvo as crianças na faixa etária entre 12 e 14 anos, incluindo as meninas.

O Brasil é o sétimo país do mundo – e primeiro da América do Sul – a oferecer a vacina contra o HPV para meninos em programas nacionais de imunizações. A meta do Ministério da Saúde é ampliar a faixa etária a ser imunizada gradativamente. Até 2020, deverão ser incluídos nas campanhas todos os meninos entre os 9 e 13 anos. A previsão para 2017 é de que mais de 3,6 milhões de meninos sejam imunizados – além de 99,5 mil crianças e jovens de 9 a 26 anos soropositivos para o vírus HIV e Aids, que também passarão a receber as doses. Para essa campanha, o Ministério da Saúde adquiriu seis milhões de doses, ao custo de R$ 288,4 milhões.

Saúde – A vacinação para o público masculino faz parte da estratégia do governo para aumentar a rede de proteção às mulheres. A imunização para esta faixa etária é uma garantia para que adolescentes não sofram com a doença na fase adulta.

O papiloma vírus ou HPV é responsável, principalmente, pelo câncer de colo de útero. A estimativa no Instituto Nacional do Câncer é que ocorram 260 casos da doença em Belém, 820 no Pará e 1.970 na Região Norte, entre os anos de 2016 e 2017. A vacina também fará prevenção de outros tipos da doença como os cânceres de pênis, de ânus e garganta.

“A vacinação contra vírus do HPV para o público masculino quer reduzir o câncer de colo de útero em mulheres”, diz Jaíra Ataíde, coordenadora estadual de imunizações da Sespa, lembrando que esta estratégia de vacinação foi iniciada no Brasil ainda em 2014, com as meninas de 9 aos 14 anos de idade. “Para fortalecer esta imunização e com uma proteção maior para as meninas, chega a vez de vacinar os meninos de 12 e 13 anos. Projetamos para daqui a 10 anos termos uma população de homens e mulheres muito mais protegida contra o papiloma vírus humano”.

O Pará é responsável por solicitar e distribuir as vacinas nas regiões, conforme a demanda dos municípios. Cada prefeitura monta e aplica suas próprias estratégias de vacinação. De acordo com a Sespa, aproximadamente 300 mil meninas foram vacinadas na campanha anterior – número que representa 40% do público alvo. A secretaria comenta que um dos maiores problemas é a evasão da segunda dose.

“As meninas tomam a primeira dose e seis meses depois precisam retornar com a carteirinha de vacinação para receber a segunda, fechando o ciclo de imunização. O problema é que muitas não retornam por diversos fatores, dentre eles distância, descrença, esquecimento, etc. E necessário tomar todas as injeções para a imunização estar totalmente segura”, pondera Jaíra Ataíde.

Também receberão as doses da nova campanha nacional  as meninas que chegaram aos 14 anos sem tomar a vacina em 2016 – ou que não completaram as duas doses indicadas. A estimativa é de que 500 mil adolescentes estejam nessa situação em todo o Brasil. A vacina é gratuita e estará disponível durante todo o ano. Se aplicada e uma rede particular a dose pode ultrapassar o valor de mil reais.

Meningite – Paralelamente à campanha de vacinação de imunização do HPV, o governo também inicia a vacinação de reforço em crianças contra a meningite. A vacina meningocócica C, voltada a meninos e meninas de 12 a 13 anos, tem como objetivo fortalecer a imunização contra a meningite tipo C. Ambas as vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia.

Até então, a vacina contra meningite meningocócica C era administrada apenas aos 3 meses, aos 5 meses e com 1 ano de idade – quando as crianças estão mais suscetíveis a desenvolverem as formas mais graves da doença. A inclusão no calendário integra as mudanças do MS no esquema de vacinação nacional para 2017.

O ser humano pode portar a bactéria que causa a doença meningocócica sem desenvolver os sintomas, mas ainda assim transmiti-la. O reforço na adolescência vem com o objetivo de manter a proteção desse grupo por mais tempo, reduzindo também o número de portadores assintomáticos da bactéria.

A meningite C continua sendo o tipo de meningite que mais afeta a população (cerca de 60% a 70% dos casos). A doença apresenta rápida evolução, gravidade e letalidade e tem caráter epidêmico.

Por Diego Andrade