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CPC orienta policiais militares e jornalistas sobre preservação de local de crime

Orientar e conscientizar policiais militares e os profissionais de comunicação de Santarém, no oeste do Pará, sobre os procedimentos básicos de isolamento e preservação de locais de crime, com ou sem cadáver, é o objetivo do workshop trazido ao município pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

Na quinta-feira (5), as orientações foram repassadas aos policiais militares, que em geral, são as primeiras pessoas a chegar ao local de crime. E na manhã desta sexta-feira (6) foi a vez dos profissionais de imprensa conhecerem os procedimentos básicos de local de crime e como um isolamento adequado pode garantir que a perícia seja realizada com qualidade, auxiliando na investigação policial.

Segundo o perito criminal José Cordeiro, do CPC de Belém, a preservação de vestígios é fundamental para traçar a dinâmica de um crime, e muitas vezes, a própria Polícia Militar isola apenas ao redor do cadáver, achando que a análise da perícia é em cima do corpo da vítima. Mas não é assim. O cadáver é analisado e necropsiado pelo IML. Então, para o médico legista é o cadáver é o vestígio mais importante.

“Nós peritos criminais do Instituto de Criminalística do Renato Chaves, vamos atrás dos materiais relacionados ao crime, que podem ser o projétil, o estojo, o cabelo, pelo, suor, saliva, que às vezes podem estar distante 5, 10, 15 metros do cadáver. Por exemplo, uma pessoa que foi vítima de uma facada e essa faca foi encontrada a 20 metros. A faca é mais importante para a perícia que o cadáver, por ser o instrumento do crime que vai ser periciado. Os vestígios do local de crime são importantes pra nós traçarmos a dinâmica do crime”, explicou Cordeiro.

Ainda segundo o perito criminal, com base na análise dos vestígios colhidos no local de crime, a perícia vai responder como: quantos tiros a vítima levou? por onde entrou o assassino (pela janela ou pela porta)? quais os caminhos que ele andou? Se há trilha de sangue indo e voltando? Essa dinâmica a gente consegue a partir de vestígios intactos. Agora, se os vestígios estão totalmente pisados pela população ou ausentes, porque alguém pode levar um celular, drogas da vítima, a gente não pode tracejar. O laudo vai sair? Vai. Vai ter um laudo de levantamento de crime, mas vai ser inconclusivo, vai ser prejudicado”, enfatizou.

Cordeiro disse que se o crime ocorre em local fechado, uma casa, por exemplo, a polícia deve fechar a porta e não permitir a entrada de ninguém, até a realização da perícia. Se ocorre em local aberto, via pública, por exemplo, cabe aos policiais a avaliação do perímetro que deve ser isolado. No local isolado não deve haver circulação de policiais, familiares da vítima, profissionais de imprensa e populares, justamente para preservar os vestígios do crime e ajudar a polícia na identificação dos culpados e na elucidação das motivações.

Em relação a fotos e vídeos feitos por curiosos no local de crime para compartilhamento em redes sociais, Cordeiro lembrou que esse comportamento caracteriza crime de vilipêndio ao cadáver.

Requisição para perícia

O diretor do CPC de Santarém, Elinaldo Silva, informou aos profissionais de imprensa sobre o protocolo seguido para a realização de perícia criminal e remoção de cadáver.

Segundo o diretor, inicialmente quando há uma morte violenta (homicídio, suicídio ou acidente) em geral são populares que acionam o Niop que vai avisar as autoridades cabíveis. Quando não se tem certeza da morte da vítima, o Niop aciona primeiro o Samu e a Polícia Militar. Uma vez confirmada a morte, a Polícia Militar aciona a Polícia Civil e o delegado que vai tombar o inquérito é quem requisita ao CPC a perícia criminal e a remoção do corpo.

“Esse tempo para a chegada das equipes do CPC depende muito do local, se é dentro da cidade ou no interior. As perícias são feitas mediante a solicitação do delegado. Enquanto a solicitação não chega ao CPC, nós não temos como atender a ocorrência porque é o documento da autoridade policial que vai respaldar o nosso trabalho”, explicou Elinaldo Silva.

Atualmente, Santarém conta com um perito criminal por plantão no CPC, para atender também os municípios de Belterra e Mojuí dos Campos.

Texto: Sívia Vieira – G1 Santarém