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Polícia francesa elogia perícia paraense durante qualificação em Belém

“O nível da perícia paraense é muito bom, sobretudo na polícia científica. Os profissionais têm muitos conhecimentos e são muito interessados em assimilar as nossas novas técnicas”. A opinião é de Sébastien Philippe Valentin, major que há 10 anos atua na brigada criminal de Paris, na França.

Sébastien é um dos dois peritos franceses, agentes da Polícia do Brigade Criminelle e do Service Régionale d’Identité Judiciaire (em português: Brigada Criminal e do Departamento Regional de Identidade Judicial), que estão dando aulas de qualificação para peritos criminais do CPC Renato Chaves e policiais civis e militares, durante a Semana de Intercâmbio de Investigação Criminal: Brasil x França – O Local de Homicídio em Evidência. O outro agente que participa da capacitação é Matthieu Marc Veillard. O evento começou na segunda (23) e foi até sexta-feira (27), com aulas práticas e teóricas.

“Esse treinamento é fruto de um programa do Governo do Estado e CPC, de aproximação com as embaixadas, buscando a capacitação através da expertise desses países que têm uma tecnologia e protocolos de administração avançados”, disse Mário Guzzo, coordenador da capacitação.

Técnicas minuciosas – Dos 30 participantes do curso, 20 são peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, que atuam na área de homicídios em Belém, Castanhal, Marabá, Santarém e Altamira; cinco são da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, e cinco da Corregedoria da Polícia Militar do Pará. Essa integração foi uma exigência do convênio, já que o país europeu trabalha com uma polícia única, sem divisão de militar, civil e perícia.

Na tarde desta quarta-feira (25), os participantes tiveram aulas práticas de odorologia, que ensina como detectar odores presentes no local do crime para a devida identificação de suspeitos e vítimas. “Para nós, do interior do estado, é maravilhoso, porque essa capacitação nos mostra outros horizontes os quais não imaginávamos. O que mais me chamou atenção foram as técnicas minuciosas adotadas pelos franceses no local do crime, estou aprendendo bastante”, disse Edvaldo Castro, que atua como perito criminal no município de Altamira.

“A importância desse curso é enorme para a PM do Pará, nos revelando detalhes que permitem fazer uma investigação de determinados crimes militares, no caso o homicídio. Está sendo muito oportuno aumentar a dimensão da importância de preservar o local do crime, dentre outros conhecimentos adquiridos”, destacou o tenente coronel Getúlio Rocha Júnior, que trabalha na corregedoria da Polícia Militar há 10 anos.

CPC e FBI – Esta é a segunda parceria internacional firmada pelo CPC neste ano. A primeira foi firmada com o Federal Bureau of Investigation – FBI (em português: Gabinete Federal de Investigação) no mês passado. Durante visita ao Centro de Perícias, o agente do FBI e adido policial da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, David Brassanini, esteve reunido com a direção geral do órgão estadual e apresentou um pouco do trabalho da polícia americana aos peritos criminais.

Dez peritos poderão se inscrever no intercâmbio, que tem previsão para iniciar em julho deste ano. Nos Estados Unidos serão trabalhadas as seguintes especialidades: Local de Crime; Impressão Digital; Desastres em Massa; Exames Físicos, Químicos e Biológicos; Balística Forense; Documentoscopia e Informática Forense.

Já o treinamento na capital paraense está previsto para setembro. Mais de 30 peritos criminais terão a oportunidade de se aperfeiçoar e conhecer os protocolos adotados pelo FBI, uma das forças de inteligência mais importantes do mundo.