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Canais 181 e 190 são essenciais para o combate ao crime, mas trotes ainda prejudicam o trabalho

Uma das principais dúvidas do cidadão na hora de pedir apoio aos órgãos de segurança é para onde ele deve ligar quando necessita de ajuda, seja para informar alguma ocorrência ou realizar uma denúncia. Atualmente, 190 e 181 são os números disponíveis para efetivação do serviço, mas saber a diferença entre os dois é essencial para o correto e ágil atendimento dos órgãos que gerenciam essas plataformas.

O 190 funciona para comunicação de urgências e emergências, ou seja, fatos que estejam em andamento ou tenham acabado de ocorrer, e é gerenciado pelo Centro Integrado de Operações (Ciop), que agrega todos os órgãos de segurança pública do Estado: Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Detran e a Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe).

Ao ligar para o 190, o cidadão diz seu nome, faz o relato do que está acontecendo ou aconteceu e os atendentes fazem o registro. Após o primeiro contato, a ocorrência é despachada para o órgão competente, que, em seguida, aciona a guarnição mais próxima para atender o cidadão. Roubos, furtos, assaltos com refém, acidentes de trânsito – com e sem vítima – , atitude suspeita, brigas, problemas com animais, lesão corporal, dentre outros, devem ser registrados no Ciop por meio do 190.

“Funcionamos 24 horas por dia, sete dias por semana, sem interrupções, atendendo as chamadas de toda a Região Metropolitana de Belém. Além disso, temos 109 câmeras de monitoramento espalhadas pelos municípios da região metropolitana, fazendo diligências e verificando atos suspeitos antes mesmo de alguém avisar”, explicou a delegada Danielle Souza, diretora do Ciop.

Mesmo com um número alto de chamadas recebidas durante um ano inteiro, que chega próximo a três milhões, a delegada afirma que mais de 90% são atendidas. “Antigamente, a cada 10 ligações, conseguíamos atender entre quatro e cinco chamadas, mas com o aumento dos investimentos na área de segurança, principalmente de pessoal para o Ciop, posso afirmar que 97% das ligações são atendidas, com tempo médio de espera na linha de apenas cinco segundos. Em horários de mais chamadas, como o da noite (18h às 0h), por exemplo, esse tempo não ultrapassa 15 segundos”, complementou a delegada.

Durante a ligação, tempo é um dos fatores mais importantes. Diferente das ligações para o 181, que devem ter o maior número de detalhes possíveis, as chamadas para o 190 devem ser objetivas. “O cidadão liga, diz seu nome, o que está ocorrendo e o endereço. As ligações duram em média de três a cinco minutos e não devem passar disso. Quanto mais rápido o registro, mais rápido é o acionamento de viaturas. Vale lembrar que o Ciop faz a mediação entre cidadão e o órgão de segurança, não somos nós que vamos até o local fazer os atendimentos”, complementou a diretora do Centro.

Disque Denúncia

Já o 181 é o telefone a ser discado para denúncias anônimas, que podem ser feitas pelo cidadão que tenha informações mais detalhadas e completas de uma ocorrência, seja tentando prevenir algo que ainda não ocorreu, ou alguma informação que ele possua e que irá servir para auxiliar as polícias na elucidação de um crime já ocorrido.

“No Pará, o Disque Denúncia atende todos os municípios do Estado. A ligação é gratuita e o sigilo dos dados repassados e o anonimato do denunciante são garantidos. Ao final da ligação, o cidadão recebe um número de protocolo para acompanhar as providências adotadas após a realização das diligências. É um trabalho de inteligência, realizado minuciosamente por policiais capacitados que avaliam as denúncias e trabalham em cima delas. Casos emblemáticos, como o do ‘Maníaco da Ceasa’ (condenado pela morte de três crianças), foram elucidados com a ajuda de informações de pessoas que ligaram para o 181”, explicou o delegado Raimundo Benassuly, diretor do Disque Denúncia.

O delegado reforça a diferença entre o 190 e o 181 e afirma que até hoje o telefone recebe muitas demandas que não são de sua competência. “Infelizmente, às vezes nossos atendentes ficam ocupados com essas outras demandas, o que atrapalha o serviço, mas o apoio do cidadão é essencial. Quem tiver pistas sobre o paradeiro de algum procurado, informações sobre um crime ou alguma informação que nos auxilie a desvendar uma ocorrência deve ligar para o 181. Situações de urgência e emergência somente com o 190”, complementou.

Números

Em 2016, o 181 recebeu 38.662 ligações. Dessas, 23.668 foram válidas e delas encaminhados 23.496 dossiês, sendo as Polícias Civil e Militar as que mais recebem essas denúncias, chegando a 98,5%. Já em 2017, foram 47.242 chamadas recebidas. Dessas, 25.244 foram válidas e delas encaminhados 25.254 dossiês, também sendo 98,5% direcionadas para a PM e PC.

Não se pode negar a importância que os dois canais possuem, mas um problema grave também prejudica o bom andamento dos atendimentos: os trotes. Das 38.662 chamadas para o 181 em 2016, 14.994 foram trote, número que saltou em 2017 para 21.998 em 47.242 ligações.

No Ciop, em 2016, das quase três milhões de chamadas recebidas, 850 mil foram falsas, e em 2017, de quase 2,2 milhões de chamadas, 365 mil foram trotes. Os diretores dos dois órgãos compartilham da mesma ideia. “As pessoas precisam se conscientizar de que uma ligação falsa atrapalha o atendimento, por exemplo, de um fato real, e até mesmo vidas podem ser perdidas com isso”, ponderam.

Por Heloá Canali
Foto: Rodolfo Oliveira – Agência Pará